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segunda-feira, 24 de novembro de 2014

A queda da vilã: Endometriose. Parte 1: A descoberta

Olá!

Como prometido no último post, acredito que um dos mais importantes relatos que vou dar aqui é este, sobre essa doença chamada endometriose.

O que é endometriose?

Endometriose é uma doença crônica, ou seja, ainda sem cura, que aparece quando o tecido que reveste o útero (e se renova todos os meses através da menstruação) se instala fora da cavidade uterina.
"Os focos do endométrio são estimulados todo mês, por conta da ação hormonal do estrógeno produzido pelos ovários decorrente do ciclo menstrual normal, inflamando a região afetada e causando dor. Ao passar do tempo, essa dor progride e, na defesa do organismo contra a evolução do incômodo, formam-se algumas cicatrizes (aderências) no local inflamado, estimulando sintomas mais graves, como a dor contínua e a infertilidade. Estima-se que no Brasil de 6 a 7 milhões de mulheres têm endometriose" (leia mais aqui -> Centro de Endometriose - São Paulo).

E eu sou uma abençoada entre essas milhões de mulheres com essa birosca nos miúdos. Ah! Agora na verdade eu faço parte das poderosas que derrotaram essa vilã, pelo menos nas batalhas contra dor e infertilidade, afinal se eu não cuidar, ela pode voltar a encher o saco novamente, já que ainda não existe cura.

Eu vou falar dos sintomas que eu senti de forma bem clara, pois é meio desagradável falar de alguns sintomas fisiológicos, mas é importante eu me despir dessa vergonha para ajudar outras mulheres a se a diagnosticar com a doença.... sim... você mesma consegue. Foi conversando sobre meus sintomas que uma amiga me alertou sobre a doença. Depois de pesquisar mais a respeito, cheguei no meu ginecologista dizendo - Doutor eu tenho endometriose. Quando eu li os sintomas, tive certeza. 

Nenhum, leia bem... NENHUM exame hoje em dia, seja de sangue ou de imagem, consegue garantir que você não tenha endometriose. Se o seu médico ficou só nessas opções mesmo você apresentando um monte de sintomas, busque outra opinião para você não perder tempo. Digo isso, porque os meus exames de ultrassom transvaginal, meu preventivo e um tal de CA-125 (de sangue), estavam TODOS dentro do normal e eu já estava com uma endometriose nível 3 para 4, sendo 4 a pior de todas.

Voltando aos sintomas... cólicas... muita cólica, cólica estratosférica!! Eu sempre fui muito resistente a dor, nunca deixei de fazer minhas atividades por causa de dor nenhuma, mas cheguei em um nível que minha cólica era tão forte que 3 dias depois daquela contração a minha região pélvica ainda estava muito dolorida. Quando vinha a dor, minha vontade era me encolher e ficar ali, encolhida pelas próximas horas. Sentir dor não está certo, então fique atenta. Agora o sintoma que deu certeza à mim e ao meu médico de que eu tinha endometriose: uma dor insuportável no momento de evacuar, sempre associado ao período próximo ou durante o período de menstruação. Genteeeee, é uma dor de faltar o ar e você nunca mais querer sentar naquela privada de novo. E a qualidade do produto ali depositado também era péssimo, líquido ou bem amolecido. Eu custei a associar com o período de menstruação, sempre culpava alguma coisa que tinha comido na rua ou os meus habituais exageros com chocolate rsrsrs.

A certeza meeesmo veio através de um procedimento chamado videolaparoscopia, no qual o médico faz 3 furinhos, 2 na região pélvica (de 1cm) e 1 dentro do umbigo, então é bem pouco invasivo, e o segredo pós-cirurgia para não morrer de dor é FICAR CALADA! Assim você não provoca gases que te causarão cólicas estratosféricas daquelas que, se você tem endometriose, conhece bem. Ele faz uma coleta para biopsia e já aproveita e dá uma "limpada" nos tecidos que estão espalhados, um verdadeiro processo de desocupação de território invadido impropriamente. :) Então essa videolaparo é uma exame de diagnóstico e intervenção.

Fiz esse procedimento 2 vezes, sendo a primeira para diagnóstico e a segunda para analisar o resultado do tratamento. O tratamento merece um post a parte, até para este não ficar muuuuuito longo (que já tá!). A recuperação da primeira foi um pouco mais cautelosa devido a retirada dos tecidos "sem teto", então fiquei 15 dias afastada do trabalho, de repouso. A segunda foi bem mais tranquila e em 7 ou 10 dias, não me lembro ao certo, já estava de volta ao trabalho.

No próximo post vou falar sobre como foi o tratamento, os efeitos físicos, emocionais e psicológicos dessa guerra contra essa bocó da endometriose.

Mulheres contem comigo no que eu puder ajudar vocês nesse enfrentamento. E quem quiser deixar seu relato nos comentários também será muuuuito bem vinda!

Beijocas